Rauch - Episódio Um

18:30 Dan 4 Comments

E ai pessoal da internet!
Sejam bem vindos a mais um episódio de Rauch.
Bom, primeiramente quero agradecer o apoio dos amigos e dos que leram, isso significa bastante pra mim, espero que eu não decepcionem vocês com os episódios futuros. hehe

Enfim, sem mais delongas, segue o primeiro episódio de Rauch!

Então já sabem: peguem uma bebida (cerveja é bom no calor), coloquem um Jazz (Coltraine ou Milles Davis é uma boa pedida) e prepare-se para Red e seus feitos.


Rauch.

Episódio 01Fumo e Café.

    Em uma segunda-feira a dois anos atrás, acordei de ressaca, na noite anterior eu e meu parceiro Mike fomos para o bar do Martin's, nossa “segunda casa”, pois fechamos um caso importante no qual trabalhávamos a meses e decidimos comemorar, então bebemos demais, rimos bastantes, e Mike vomitou pela rua na volta pra casa, ele sempre foi fraco com bebida, eu por outro lado, por mais que ficasse bêbado ao ponto de querer vomitar, eu não conseguia, o vômito simplesmente não gostava de mim.
   Enfim, acordei e minha cabeça latejava, era como se o diabo estivesse batendo com um martelo dentro do meu cérebro. Levantei, tomei um comprimido para dor e fui até a cozinha, afinal era segunda-feira mas era minha folga, já que trabalhei feito louco no mês passado, dia e noite, de segunda a segunda, meu chefe decidiu dar uma folga pra o Mike e eu, como recompensa pelo trabalho bem-feito.
    Na cozinha, coloquei água no fogo para fazer um café e me sentei na mesa, acendi um cigarro, minha cabeça ainda doía bastante, e lá fiquei por um tempo, pensando no que fazer nesse dia de folga, eu nunca sabia quando eu não tinha que ir trabalhar, além de ir pro bar e ficar bêbado, como em qualquer outro dia do ano.
    Eu morava sozinho, numa casa pequena na periferia, tinha o que era preciso para algum marmanjo relaxado sobreviver: um quarto, uma sala, um banheiro, uma cozinha, um quintal na parte de traz e uma garagem, além é claro de sujeira e bagunça providenciada pelo seu dono, no caso eu.
    A água já fervia, levantei, e fiz um café, peguei uma bela xícara escaldante daquela bebida preta e fui até a varanda, ver se eu encontrava o jornal do dia perdido no chão, já aproveitando para ver se teria mais alguma conta para pagar, afinal era só o que eu recebia nesses últimos tempos, por mais que eu quisesse, não recebia nenhum cartão-postal de uma bela donzela para alegrar meu dia, o que já seria o suficiente para mim.
    A minha vizinhança era bem pacata na época, digo porque a dois anos atrás ainda era seguro andar pela madrugada por lá, hoje virou um local esquisito, repleto de traficantes e sujeira pelas ruas, não demorei muito pra me mudar pra esse apartamento que vivo agora, na verdade não foi nem por isso, nunca tive medo de traficantes, eu prendia eles no meu dia-a-dia, mas eu não aguentava a movimentação de carros e pessoas que acontecia frequentemente pela madrugada, e as festas. Isso tudo começou quando meu vizinho morreu, senhor Gabriel, ele tinha por volta dos oitenta anos, e seu coração era fraco, além de morar sozinho, não tinha filhos, então a sua casa foi leiloada e comprada por uma família porto-riquenha, olha, não tenho nada contra porto-riquenhos, mas eles são muito barulhentos pro meu gosto, então resolvi me mudar, e vim pra cidade, mas naquela época o senhor Gabriel ainda vivia, e sempre me cumprimentava quando me via, geralmente pela manhã enquanto ele regava suas plantas do jardim.
    Saí, cumprimentei o senhor Gabriel, fui até a caixa de correio e só encontrei propaganda de supermercado e folheto de igreja, voltei e, no chão da minha varanda, estava o jornal, eu então o peguei e pude olhar na capa, ali fora mesmo, não tinha nada de interessante além da manchete sobre esportes, o Red Sox tinha perdido um jogo importante, o que me deixou meio pensativo, eu sabia que no dia seguinte meu parceiro não pararia de falar sobre isso, Mike era bem viciado em baseball, eu só gostava das estatísticas e de apostar em times, a derrota do Red Sox significava menos cem dólares no meu bolso. Entrei em casa, peguei outra xícara de café, acendi mais um cigarro e me sentei na poltrona da sala e, antes de começar a ler o jornal, parei para apreciar o silêncio que reinava na minha casa.
    Saiba que sou um cara muito reservado, bom pelo menos é o que dizem, na verdade eu só gosto do silêncio, e de ficar sozinho, não sou muito de barulho e amontoado de gente, por isso quase nunca fui a uma festa de fim de ano do departamento, e muitos dos meus colegas insistiam para que eu fosse, principalmente Mike, mas eu sempre inventava uma desculpa esfarrapada para não ir, algo como “minha mãe está doente” ou “minha irmã vai ter um bebê”, algo do tipo.
    Mike, esse meu parceiro que mesmo parecido comigo em respeito a maneira de pensar e seus gostos sobre música e bebida, vivia fazendo piada com meu jeito de agir com as pessoas e a minha “indiferença” em relação a elas, eu não sei explicar, eu simplesmente não ligava pra maioria.
    Lembro de uma noite no balcão do Martin's, um homem veio me pedir informação sobre uma lavanderia perto dali, detalhe, o homem não estava bêbado, e sua cara tinha uma expressão idiota, o que me irritava naquele momento.
    -Ei, amigo. - Disse, com um sorriso tosco na face. - Você sabe onde fica a lavanderia Dirty-Wash aqui pela região?
    -Não, me deixe beber em paz, vá pedir informações para um guarda, eu estou fora do meu expediente. - Falei, enquanto encarava meu copo meio vazio.
    -É que eu me mudei a pouco tempo…
    -Não é problema meu, meu chapa. - E fez-se silêncio.
    O homem simplesmente virou as costas e saiu do bar, sem dizer mais nenhuma palavra. Bom, talvez eu não precisasse falar daquele jeito com ele, não sou arrogante por natureza, na verdade eu só estava cansado, por mais que eu não tenha paciência com alguns tipos de pessoas, eu sempre tentava ser o mais educado possível, mas depois de um longo dia lendo laudos sobre cadáveres, e depois de três doses de Jack, meu humor simplesmente não existia mais.
    -Por que fez aquilo? -Perguntou Mike.
    -Aquilo o quê?
    -Por que tratou aquele cara daquela maneira?
    -Não estou com paciência pra dar informações agora, só quero paz, e meu copo.
    Mike coçava a cabeça tentando achar palavras pra me comover.
    -Você devia ser mais amigável com as pessoas.
    -Não era problema meu.
    -Mas ponha-se no lugar dele – Mike tinha mania de me dar lições de moral. -Imagine, e se fosse você que estivesse perdido e fosse tratado assim? O que faria?
    -Eu nem perguntaria pra ninguém, em primeiro lugar, simplesmente não lavaria minhas roupas hoje, e além do mais, por que diabos ele quer lavar roupas as dez horas da noite?
    Mike pensou.
    -Talvez ele tenha algum compromisso importante amanhã.
    -Não é problema meu.
    -E se fosse você?
    -Me pagaria uma bebida.
    -Você não faria isso. - Deu uma risada sem graça.
    -Não mesmo.
    Mike riu, e eu também, como dois moleques embriagados.
    -Red, você é estranho. -Disse Mike, tomando um gole da sua cerveja logo em seguida.
    Mike era um cara engraçado, um excelente detetive, meu melhor amigo, vivemos poucas e boas eu e ele, contarei mais sobre isso futuramente.
    Enfim, após apreciar meu merecido silêncio matinal, peguei o jornal para ler a sessão de quadrinhos e charges, uma das coisas que mais gosto no jornal, aquelas charges eram inteligentes e algumas delas até me faziam dar risadas. Eu estava já imerso nos quadrinhos quando meu telefone toca, o que me fez lembrar de tirá-lo do gancho quando eu tiver folga na próxima vez, deixei o jornal e o café na mesa de centro e fui atender.
    -Alô? - Disse.
    -Red? É o Carl, desculpa te atrapalhar, eu sei que está de folga, mas preciso da sua ajuda num caso. - Carl Benkins era um dos detetives do meu departamento, aquele tipo de colega que não atrapalha mas também não ajuda, um bom homem, mas um não tão bom detetive, sempre me pedia ajuda quando estava ferrado em algum caso.
    -É minha folga, Ben.
    -Eu sei, eu sei, me desculpa por isso, mas é que teve outra vítima, eu não sei cara, isso está estranho, é melhor vir aqui, talvez isso possa influenciar no seu caso, chame o Mike, eu te explico quando vocês estiverem aqui.
     -Não vou atrapalhar ele na sua folga, seria sacanagem. - Pensei por uns instantes, o que diabos eu poderia fazer no meu dia de folga? Eu quase não tenho amigos, não tenho mulher e nem nada que me prenda em casa, aliás, eu ficaria realmente entediado se passasse o dia todo com a bunda no sofá, assistindo baseball e bebendo cerveja, isso não era pra mim, apesar de eu amar cerveja, não sentiria confortável misturando cerveja e baseball, quem sabe um dia eu prove essa combinação. Eu poderia ir pro Martin's também, mas isso eu iria de qualquer maneira, então não conta, poderia dar uma volta de carro, ir atrás de mulher, ou qualquer coisa do tipo, mas sinceramente preferiria ficar sozinho, e é muito mais interessante tentar descobrir a morte de algum qualquer do que fazer outra coisa, pelo menos naquele momento. - Beleza, me passe o endereço…
    Sai do meu roupão que usava e vesti a roupa do dia anterior, peguei minha jaqueta, arma e distintivo, as chaves do carro, um maço extra de cigarros, enchi meu cantil de metal com Jack e guardei no meu bolso, lavei o rosto e sai porta afora.
    Entrei no meu bom e velho Mercury Cougar bordô, modelo 71, lindo porém mal cuidado, sintonizei a rádio na estação de jazz, ajustei o retrovisor, dei partida e sai da garagem, esse era o momento que mais gostava do dia, quando estava sozinho no meu carro, indo pra qualquer lugar, escutando Coltraine, ou Davis, com um cigarro aceso e o vidro semiaberto, entrando aquele ar da manhã, ou da noite, tanto fazia pra mim, o que importava era que estava só e isso me agradava.
    No caminho para a cena do crime de Ben, pensei no que ele disse: “talvez isso possa influenciar no seu caso”, ou Ben é muito burro, ou ele estava falando do caso que eu e Mike fechamos a pouco tempo, aquele que tínhamos comemorado no Martin’s, o caso de Ketery Murrow.



Próximo episódio:
Episódio 02O Caso de Ketery Murrow.

Dia 21/01/16.

Espero que tenham gostado desse episódio, foi pedido pelo Wesley (@wesleyffer) que fizesse um maior, espero ter feito do tamanho certo dessa vez.

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É isso ai, até logo.

E ai pessoal da internet! Sejam bem vindos a mais um episódio de Rauch . Bom, primeiramente quero agradecer o apoio dos amigos e dos que l...

4 comentários:

  1. Gostei do episódio. Parabéns, despertou minha curiosidade.

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    1. Que ótimo Jane! Espere pelos próximos :D

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  2. depois de um pouco de descanso fora do pc estou eu aqui, bem interessante ver um pouco do dia do Red, acho que ele assim como eu só tem a cabeça no lugar depois de um bom café(gostaria de saber como ele gosta do café dele!).
    Eu as vezes faço como ele fez no bar, mesmo inconscientemente, e isso infelizmente não é bom, acho que afasta as pessoas.
    Acho que estou cada vez mais me identificando com ele, o jeito é esperar mais episódios para saber o quão parecido somos, vai que eu me desperte o interesse pela carreira investigativa :P.
    Abraços, Wesley

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  3. depois de um pouco de descanso fora do pc estou eu aqui, bem interessante ver um pouco do dia do Red, acho que ele assim como eu só tem a cabeça no lugar depois de um bom café(gostaria de saber como ele gosta do café dele!).
    Eu as vezes faço como ele fez no bar, mesmo inconscientemente, e isso infelizmente não é bom, acho que afasta as pessoas.
    Acho que estou cada vez mais me identificando com ele, o jeito é esperar mais episódios para saber o quão parecido somos, vai que eu me desperte o interesse pela carreira investigativa :P.
    Abraços, Wesley

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